sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cerebreia #11

Saltei e todos os ladrilhos saltaram comigo, posicionaram-se todos em meu redor dispostos perpendicularmente ao soalho agora a descoberto, escorria-lhes um liquido amarelo à superfície, a sala ficou cheia até ao tecto, a água entrava pelas condutas de ar, a sola dos meus sapatos descolou-se enquanto humedecida, e o meu corpo absorveu o liquido libertado pelos ladrilhos através dos meus pés, a toxicidade fez com que suasse imenso, o toque salgado misturado com o conteúdo do agora tanque a transbordar provocou uma efeito reverberante nas paredes da sala, deu-se uma implosão e todos os ladrilhos se colaram ao meu corpo, a pele separou-se acabando por se fundir e fiquei totalmente imobilizado, as minhas articulações enrijeceram e os meus olhos completamente bloqueados sem que os pudesse abrir, senti que a pressão no meu corpo se extinguia pouco a pouco, estranho foi ouvir os comentários de todas as pessoas que passavam por ali, por momentos fiquei a pensar que me havia transformado num manequim e estaria colocado na montra de uma loja num centro comercial…

4 comentários:

Marlene disse...

"por momentos fiquei a pensar que me havia transformado num manequim e estaria colocado na montra de uma loja num centro comercial…" adorei este final ..muito bom!

Em relação ao comentário que me deixaste, muito obrigada pela força! Posso perguntar porque não mostravas os teus textos a ninguém? Era apenas "vergonha" ou um sentimento anti-partilha da exterorização das tuas emoções? Muitas vezes acontece-me ainda o segundo ..tenho cadernos repletos de algo que olho e penso "não QUERO que ninguém leia." :))

Um grande grande beijo

Valter Ego disse...

Posso deixar uma sugestão de leitura?
http://minguante.com/
Quem sabe se não te apetece participar?:)

Canto Definido disse...

Marlene:
Nunca se tratou de não querer partilhar, mas sim de não ter com quem partilhar, nunca fui de acordo com integrações em grupos tais como góticos ou algo parecido, não porque estivesse contra a sua linha de pensamento mas porque estaria a contradizer a minha escrita, acreditava afincadamente na inexistência de "deus", mas também em qualquer outra entidade imaginada, esses textos passados de geração para geração sempre me causaram algum desconforto, o presente é transformado a cada segundo e as teorias comprovadas podem cair no esquecimento de um instante para o outro.

E ainda hoje acho que alguns indivíduos deveriam deixar as drogas que tomam, e que se purificassem o seu corpo com o auxilio de um laxante qualquer, evitariam o ajuntamento perto das restantes ovelhas...

Valter Ego: Vou dar uma olhada...

Paulo disse...

é impressão minha ou tens uma aversão/fascínio por substâncias líquidas viscosas?

não deixa de ser natural, já que somos 70% água e outros líquidos..