quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Providência

Quando o que se sente esvazia-nos enquanto aquela coisa moribunda... aquela substituição que para ali jaz... quando falta o abraço afável que tanto apreciamos... as ténues ocasiões de lucidez alcançam todos os recantos exigindo de volta um papel de parede por fim consumido... fica para trás a escuridão residual das memórias outrora repletas... o pranto e as convulsões dissimuladas apenas as compreendem os ocos... o suco persiste naqueles que se importam... permanece-lhes lá dentro...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Estranhamente Estranho

Balbuciar acerca da distinção entre estórias antigas e mistérios correntes não serve absolutamente qualquer propósito, maldita consciência tempestuosamente recuperada enquanto recolectamos pedaços de parágrafos e fotografias perdidas por entre sobreposições... permite-nos apenas acesso a percursos reconcertados.

(Não surte efeito a vida de quem relembra o passado com misericórdia)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Poros frisados

Pejorar é divertido, mas apenas válido para nós os iníquos, deliciamo-nos às custas da curiosidade pérfida, da inconsequente natureza do individuo, agregamos-lhe novos estímulos permeáveis contribuindo para um rácio que forçosamente pende em nosso beneficio, bem... é o que pretendemos.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Inquietos Entre Presas

Despedaçam-se nódulos crispados pelo entrosamento de notas pautadas de fresco, pêndulo suspenso após um simples trajecto através de uma névoa grão, chacota atenuada pelas surdinas depostas em cada lugar desocupado, um sortido enfastiado perpetua-se enquanto as permutas traduzem-se num enraizado áspero e constrictivo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

104E

Seja ascendente ou díspar não compete ao prévio embaraçar quem está nas imediações, embora juntos não ultrapassem os limites retorcem-se conjecturas que remedeiam e impulsionam o intercalar do tracejado.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fulcro

  1. ...
  2. Sustentáculo, apoio.
  3. ...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

vazio eléctrico perto de um conjunto de manchas

Trajado a preceito de cauda desenrolada, aterra e rasga o pavimento de garras aguçadas, o rasto largado pela mochila que transporta indicia a sua passagem para além dos túneis, escapuliu-se conseguindo antes afincar o seu dente oco na bandeirola que o encabeçava como manufactor desta esquisita machadada, "pesponto interrompido" foi o anúncio colocado de seguida.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Após o Sinal, Deposite a Grelha Horária

De esquisso a perpétuo este ajuntamento soalheiro, alberga-me como devido a vagem que boceja infortúnios, no topo da lista estão cacos de porcelana, tesouras enferrujadas e jantes entulhadas, este endemoninhado ensemble embrulhado com lodo apresenta-se ainda verde, a tais oferendas seguem-se novas preces...

My Shampoo, My Autopsy

Reabro folículos entrançados, alinhavo-os sobre o caudal por onde escorrem iguarias, dobram o denso tapete atracado e ascendem, na dúvida opta-se pela estima, da correria obtêm-se a dúvida, das particularidades canibalescas dos poros aproveitam-se as linguetas...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Laminado

O desbaste provocado tornou-se evidente, molares construídos perfuram-me a língua, sabem-me a ganchos de aço polido, mastigam-na pouco a pouco enquanto trespassam géneros de apreços prestados...

domingo, 24 de janeiro de 2010

de que falam as esponjas?

Deste cansaço aquisitivo que me desconsidera desde criança, sobram-me inúmeros pedaços após cada passagem tortuosa a que subjugava os brinquedos que não os mesmos, adquire-se imenso durante a orquestração do término, o saco alberga não tudo mas o todo, os hábitos ultrapassam-nos a vontade e as horas repetem-se incessantemente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Fissuras

Desde o temor enraizado que retoma a intrusão e percute o dissabor de uma próxima sequela, demo-nos conta das transmutações e definhar de que este doce vital sofrerá, transparece de conspurcado este sujo sangue que insiste em nos escorrer por entre dedos, os rasgos cobertos de gaze ocultam este novo sonho indevidamente manchado, retiram-nos o saque, a posse e o negociar de que fomos capazes, seguimos novo trajecto demarcando todos os trilhos esquecidos para trás, morte ao retrocesso e a todos os seus filhos bastardos!

domingo, 19 de julho de 2009

cou-r

A textura sedosa assemelha-se a uma imitação de velcro, a cada fibra encaracolada foi-lhe retirado o miolo, serão sujeitas a injecções aplicadas individualmente decididas na hora quanto à tonalidade e ao tipo de gel utilizado, um brando espirro projectado destruiria qualquer uma destas estruturas recriadas na companhia da luz ténue toldada pela negrura do algodão que por ali pairava, o queijo esburacado lá no topo reluz embaciado de desgosto após pilhagem por todos os milagreiros que acompanham este lugarejo desinteressante desde a inauguração, o serviço fúnebre foi adiado para perto das seis da tarde, insectos e afins atraídos pelo cheiro adocicado de torriscados a que nos habituámos deixam-se roubar pelo vento, o fedor presente no local provém da chaminé da fábrica ali ao lado, cada pequena tira rectangular de tapete aproxima-se mais do aspecto de um taco de madeira, o padrão visto de longe confunde-se facilmente com o traçado observado nos veios de uma árvore…

sábado, 11 de julho de 2009

pr-v

De complicado ajuste este invólucro macio ao toque, a gaze moldada sob a borracha verde-esmeralda constitui o suporte para o interior quebradiço barrado com geleia real e puré de cenouras apodrecidas, excertos de pele acrescentados no interior de um tanque utilizado para a extracção de bolsas de ar, o meu peso agravado percute náuseas e cefaleias de lide insuportável, graças à brisa fresca de final de tarde mal consigo deslocar-me por detrás da fábrica de escovas de cabelo, assisto a uma lua cheia e beijos de desagrado de encontro à parede caiada de fresco, a saliva efervesce ácida e o esmalte dos dentes desaparece num ápice, abrem-se as gaiolas de saias de verga salpicadas por pequenas falsificações de ametistas incrustadas em estanho, escapam os castores amordaçados a balões de azul caramelizado que sobem pelas calhas de encontro a espigões de serrilha dispostos desordenadamente junto ao telhado e às goteiras que apontam em direcção aos boiões de azeite da vizinhança…

segunda-feira, 6 de julho de 2009