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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

CO #2

Um pack the Carltons previamente encetado, procuro e procuro, e não encontro de todo o meu isqueiro preferido, que desagradável… intragável e nociva toda esta ausência é, e o que mais me perturba é o facto de ter que assinala-lo, não, digamos que procuro auxilio de modo a poder respirar novamente, e para tal basta-me o aproximar do filtro de um destes lindos aos meus lábios, e como por milagre, de encontro à cadeira onde estou sentada, perseguem-me, atrapalham-se todos, como crianças… mas ao menos acabo por libertar este meu prazer por estrear, sempre, esta doçura, este sabor de fumo denso que me preenche mesmo que por breves instantes, afasto-os a todos, rejeito os avanços e retenho, aprecio o fluxo perfumado, adoro isto, é o meu cumprimento diário, a satisfação garantida…

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

CO #1

Não uso isqueiro, acostumei-me à ignição de um vulgar pau de fósforo, as lâminas de cerejeira da caixa que utilizo intensificam e mantêm o aroma original destes meus condiscípulos, anteponho as cigarrilhas a qualquer marca de cigarros, adquiri este apreciar com ligeireza, estes cohiba shots de degustar demorado permitem-me um arrebatar por completo, a um aprazimento tal que me é empeçado o narrar de todo este procedimento, encaminho mais uma baforada enriquecendo este momento até um êxtase previamente estipulado, os meus pulmões acusam-me de uma frequente prescrição, procuro então restringir um pouco o hábito só para que sinta o mesmo estimulo de cada vez que preparo o próximo, contemplo ao limiar cada ocasião que considero especial, e presenteio-me repetidamente como se de uma primeira vez se trata-se, recomponho deste modo a minha dignidade.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CO #0

Cada colheita de novos miligramas que me revestem os alvéolos pulmonares trazem-me bastante satisfação, o dessincronizar que imagino assim que me reabasteço de um pouco de monóxido não me impede de continuar e voltar a ligar todo um maço à parte insatisfeita e vazia da minha boca, esta serve apenas um única função, a de contenção temporária de um trago de fumo, o simples deslizar de braço com um cigarro preso entre os dedos até junto aos meus olhos relembra-me que o faço porque o meu corpo ainda o permite, qual enfisema qual quê, esse rumor não passa de uma convulsão retirada de um bloco de notas de um Sr. Doutor qualquer, não me adequo a estas novas regras, como se uma distância de três metros servisse para deter os meus restos de prazer obtidos da nicotina, a perda de voz iminente a que me submeto por cada prego que retiro de um recipiente etiquetado não è controlo para esta perturbadora recorrência, mas é motivo suficiente para retirar uma multitude de certezas das várias conversas de café, desacautelado é o titulo mais indicado para a minha pessoa.