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sexta-feira, 12 de junho de 2009

[ups, downs]

O desprezo é apenas uma postura tempestuosa e passageira, uma fase transitória em que optamos pela indiferença ou pela tentativa de compreensão e consequente avanço emocional, cada qual opta por um percurso estabelecido de acordo com o seu próprio ritmo, também acho que durante a tentativa de estabelecermos um distanciamento que surge abruptamente e total quebra de comunicação com quem nos traiu apenas acabamos por desperdiçar os momentos proporcionados pelos que nos vão presenteando com toda a ajuda emocional possível, muitas vezes mantemo-nos cegos porque continuamos amarrados ao passado, é tudo muito complicado pois não existem duas pessoas iguais neste mundo, e por vezes temos que apostar no equilíbrio de ambas as saídas, mas sempre de peito solto sem direito a baixar a nossa guarda para que não nos atinjam nesse momento de maior fragilidade…

( frontalidade: requerimento absoluto para que se estabeleçam laços duradouros, infelizmente nesta "sociedade" em que habitamos somos quase que obrigados a usar um pouco de retracção para nos mantermos despertos, para impossibilitar o direito à vitimização... )

quinta-feira, 7 de maio de 2009

multiple layers of glass

Pressupõe-se que a opinião partilhada entre muitos seja suficiente para estabelecer "A" verdade, é assim que funciona na maior parte das vezes, não é no entanto estranho que se voltem a reunir as partes e que se façam contabilizações cíclicas de votos para que sejam determinadas novas leis a aprovar, validar e aplicar, temos exemplos por todos os lados, desde a exclusão no mercado de alguns sub-produtos que não obedecem a determinados critérios, à criação de grupos de indivíduos que respeitam listas de regras adequadas a um qualquer objectivo considerado correcto naquele momento...

Partindo dos exemplos anteriores, os blogs que escrevemos são: Por vezes desacelerados, repetitivos ou em sonso, existem os de mainstream e os outcasts, os de mainstream aprendem os truques desde cedo, praticam as suas cábulas e fixam-se na mesma receita diária, abastecem o ego e alimentam o povo, não vejo isso como problema pois para além de podermos aprender com as vivências dos outros (e por incrível que pareça existem sempre pessoas com vidas mais interessantes que as nossas), sentimo-nos quase que forçados a darmos andança à nossa própria existência, vamos tomando um gostinho especial pelos exemplos dos big brothers mais populares e acreditamos também ter direito à nossa própria dose de imediatismo, depois existem os outcasts, as estranhices que fogem à norma e pendem em direcção contrária à do vento, transcrevem os seus pensamentos mesmo que não ganhem significado algum nas mãos dos seus leitores, sem explicações ou alterações a gosto do freguês, sem timetables ou represálias por parte dos comentadores, digamos que sem invejosos presentes :), são poucos mas bons, e são estes que escrevem os textos mais belos, trajam-se a eles próprios, são os alfaiates, os artesãos que cumprem unicamente a necessidade de continuarem porque querem, eu cá sento-me no sofá dos segundos, mas com as pernas de fora, não vá surgir oportunidade de me tornar conhecido internacionalmente :), o que quero dizer com tudo isto é que por vezes nos esforçamos tanto tanto, e acabamos encarcerados na rotina que nos é desenhada pelos outros, somos de fácil inserção em certos tipos de grupos, existe individualismo mas somos tendencialmente muito parecidos, diria mesmo: sincronizados...

(test tubes)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Filtragem Opcional

Adaptamos à nossa "realidade" o que queremos, se o desejarmos, os filtros existem pois recusamo-nos a absorver o que consideramos estar errado, os parâmetros base que definimos para a aceitação das "novidades" limitam muito a nossa aprendizagem, produzimos mais do mesmo e generalizamos de braços dados à maioria, podemos aprender bastante com as opiniões dos outros, mas escolhemos o percurso mais simples, ignoramos a introdução de ideias novas, não interessa se fazem ou não sentido para nós, ao menos exercitamos as nossas próprias noções, a falta de assimilação esgota-nos, deixa-nos secos por dentro...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ashes

Civilized my ass, all living things have a purpose, it doesn't matter if it's a tree leaf or a rhinoceros, my belief is that we are creating our own annihilation, we are about to be scrapped from the surface of this beautiful planet, people just keep on ignoring that all resources are limited, we are digging our own hole, it's true that we are a bunch of resourceful little fuckers, but it will happen, it's just a matter of time.

Absence of Proof

He always felt like living outside his own body, as if constricted by his upsetting nonexistence, it wasn't total happiness neither it was a full body rejection, he also was able to somehow transmit carefully thought ideas to the other side, but the majority weren't translated into words at all, or even kept by the visible portion of him, all wishes, desires and yet to become unfulfilled dreams were put aside as soon as they left the main building, not everything was lost though, some of it came out and escaped the censorship created by his only link into this world, imagine being kept locked inside an apartment, all things are accumulated as time goes by, all limited by a very restrictive bottleneck to the outside, also like living inside a cracked dome, where you continue to grow uncontrollably until a inescapable painful death suffocates you at the end, there's no way to properly handle all the annoyances, afflictions and pain inflicted to the inner self, enslaved by his own body, limited to a set of rules, forced offerings...

(there is no truth, there is only uncertainty)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ponto de ruptura

Resolvemos cada nova situação no momento, esculpimos todas as desconsiderações e atitudes desprezíveis no cerne que nos caracteriza, os discursos flúem de forma disparatada dando lugar a representações erradas do que nos tinge a alma, compreendo essa necessidade de clarificar, de total exposição factual, mas digo-vos que não me encaixo de todo nessa qualidade partilhada entre vós, é na individualidade que sempre apostei, não como aperfeiçoamento obsessivo, mas como tentativa de reordenar tudo o que apanhamos pelo caminho sem cedermos às influências dos restantes elementos da matilha, torna-se complicada esta desassociação, é evidente que existem por aí certas entidades de dócil apego, se me aceitam? só o tempo o dirá, por agora sinto-me afortunado por habitar este barranco de rocha, bem afastado da multidão.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Par de Sapatos

De cada vez que uma peça de vestuário ou calçado se encaixa perfeitamente no meu corpo lembro-me daquilo que entendo por amor, quando avistamos alguém que nos desperta alguma curiosidade exigimos uma série de desafios afim de determinarmos se essa pessoa coaduna connosco, fica o exemplo de um par de sapatos, em exposição estão colocados de forma a atrair o maior numero possível de clientes, tudo parece apontar para um artigo de qualidade, temos então a prova necessária para inventariar todos o defeitos iniciais, ficamos por assim dizer satisfeitos com a boa aquisição, passamos à prática, o dia a dia em que sentimos a dificuldade de adaptação, com ou sem um esforço imposto, podemos pedir uma devolução e passamos ao item que os substitui ou então conformarmo-nos sem reclamar, sabendo que eventualmente funcionarão como parte de nós, e talvez seja dessa forma que encontramos aquilo que pretendemos, os que estão dispostos a aguentar mais um pouco, são esses que se deixam levar por toda a experiência e partilham o verdadeiro conforto, todos os outros reiteram.