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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Apóstrofe.

Debruço-me sobre o seu diário ornamentado com plástico rígido e costuras de vinil, o corte é rigoroso, exímia lide trançada que percorre ao avesso a já estabelecida renda concebida nos sonhos de quem tanto mimou este cabaz, devo crédito ao artesão que para aqui despejou as mais belas tonalidades laranja, na contracapa sugere a inscrição de tinta desbotada: “O porte descascado de uma laranja permitirá o alcovitar dos meus desgostos”, as páginas tintadas nas orlas distinguem-se facilmente, não marcam os parágrafos, capítulos ou numeram os contos, parte agrupam-se juntando-lhe vários caracteres que perfazem o seguinte: “Nestas estórias não nego a minha insignificância, às possibilidades que prezo não lhes viro a palma da minha mão”, dúzias de espaços vazios e rasgados de aflição, folheio...estudo mas nada encontro, “Daqui não escapa a morte, o meu manifesto considero-o obstruído, simples...muito simples”, este tosco bloco desfaz-se agora nas minhas mãos, mistura-se com a terra aos meus pés, esbate-se enquanto torço os dedos e consigo sentir-lhe o término: “Este mísero corte açoita-me o pescoço, esta secura abranda-me o tique nervoso na jugular”.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Implantes

Estou para aqui a coçar as raízes destes conjuntos, estive demasiado tempo a comemorar o nada, a ausência de controlo provoca-me comichão nas pontas dos dedos, a irrigação não é suficiente e a carne acaba por desfalecer um bocado, rasgo umas feridas com o auxilio das unhas, sujas e cheias de manchas brancas, a pele retraída quase as deixa cair, não existe salvação possível para esta instabilidade, a mudança ainda por evoluir desconsidera-me, embaraça-me, controla-me, não sei em quem acreditar, não vos devo nada, mas dou-vos o meu coração e o meu pensamento e aviso-vos do seu esmorecimento, sinto as veias sobressaídas, apetece-me morder-lhes e deixá-las verter sangue, até me sentir completamente esvaziado desta infelicidade, se ao menos pudesse filtrar, se conseguisse evitar que o que tenho de valor desaparecesse, todo este ritual seria justificado, sei que acabará por voar em breve, mas fica mais uma vez demonstrado que esta é mais uma das estúpidas disformidades que insiste em regressar, e eventualmente termina, mas sou eu que continuo a escolher o repetir deste ciclo de deficiente aprendizagem, é a minha morte e reacendimento, é a minha amante despercebida, a minha amizade influenciável, o meu desgosto perverso e a minha perda absoluta.



Someone take these dreams away,
That point me to another day,
A duel of personalities,
That stretch all true realities.

That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me.

Where figures from the past stand tall,
And mocking voices ring the halls.
Imperialistic house of prayer,
Conquistadors who took their share.
That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me.

Calling me, calling me, calling me, calling me.

They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me,
They keep calling me.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Que sabor desagradável...

Essa angústia, conspurca-nos as vísceras, ameaça-nos o alcance, conduz-nos à miséria e a um acrescer permissivo, revoga-nos o direito ao Eu, executa-nos de lâmina romba e reduz-nos a um mero e diminuto bago defecado, compromete a exposição de todas as dúvidas e cega-nos até não mais podermos distingir entre a rejeição e o amor...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Inimizade

Estou completamente destruído, o meu coração quase que não bombeia mais sangue, os meus pulmões tratam de manter o funcionamento cada vez que volto a tossir, é como se me reanimassem vezes sem conta, impedem um possível desvanecimento, estou moribundo e desfalecido, desmotivado e preguiçoso ao ponto de não me querer levantar mais desta cama, prefiro permanecer deitado e continuar a sofrer sem que alguém chegue perto de mim, não sei quantas vezes mais conseguirei evitar este termo de existência...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mágoa

Maldito seja o instante do despertar da razão, importo-me sim senhor! Não julgues que te passo as rédeas! As consequências representam apenas uma ínfima parte do todo... retiro o que disse, a cedência existe, é no entanto sobrevalorizada tal como uma adaptação demorada, espaçada.

Faço questão de enunciar as seguintes disparidades: Despoleto o ódio e o repudio, sou cobarde e destemido, caprichoso e distante, e muito, mas muito vulgar...